terça-feira, junho 09, 2009

O estigma do caipirês


Preconceito sobre a origem das palavras nutre ignorância sobre peculiaridades da pronúncia, gramática e vocabulário da língua

Mário Eduardo Viaro


Muitas pessoas imaginam que, para saber a etimologia de uma palavra, basta abrir um dicionário etimológico. A resposta deve estar ali pronta para que a dúvida seja imediatamente dirimida. O mesmo efeito mágico é cobrado do próprio etimólogo, embora, no trato com especialistas em outras áreas igualmente sérias, como a medicina, eu não veja exigir-se uma resposta pronta, concisa e divertida para algo como a cura do câncer. Muitas vezes, dúvidas etimológicas não podem ser respondidas de chofre, sem árduas e longas pesquisas, principalmente quando se trata de palavras provenientes não do grego ou do latim, mas do árabe, das línguas africanas ou indígenas.

Muitos ficam frustrados quando consultam um dicionário etimológico e não encontram uma resposta para seu questionamento. Os maus etimólogos, preocupados com a frustração de seus leitores, fazem suposições completamente estapafúrdias para alegrá-los ou por alguma razão ainda mais obscura. Por isso, toda consulta etimológica deve ser feita com cautela. Não é a mesma coisa servir-se de um José Pedro Machado ou de um Silveira Bueno. O primeiro autor, de fato, nos conduz a boas respostas, já o segundo é extremamente controverso. No primeiro time está também Antônio Geraldo da Cunha, sem dúvida, o melhor etimólogo da língua portuguesa. Com mais cautela deve-se consultar o raro dicionário de Antenor Nascentes, que, a despeito do primor que demonstra em seu segundo volume (de nomes próprios), deixa soluções bastante questionáveis no primeiro (de nomes comuns).

Em vários artigos alertei para situações complexas que surgem quando se pretende estudar etimologias. Propor um étimo é ato muito temerário, sobretudo se nenhuma pesquisa foi feita. Étimos não são dedutíveis, antes devem provir de dados. Seria como se adivinhássemos quantas luas tem um planeta distante sem olharmos pelo telescópio, nem lermos nada sobre esse assunto. Mas, infelizmente, a tradição do "chute etimológico" é longa e tem raízes resistentes. Não costumo lamentar, apenas faço o que posso em meus escritos para erradicar essa prática que não leva a nada. Etimologia e diversão não formam um bom casamento, nem etimologia e imaginação. A combinação mais promissora é etimologia e erudição.

Aparência ilógica
O mesmo se dá com os chutes dos gramáticos. A estrutura "fazer com que" é formalmente bem estranha e foi o bastante para que um gramático logicizante como Cândido de Figueiredo (1846-1925), no começo do século 20, se voltasse contra ela. O argumento parecia razoá­vel: "fazer" é um verbo transitivo direto, portanto pede um objeto direto ou uma oração subordinada substantiva objetiva direta. Aparentemente a preposição "com" não faz sentido e deve ser eliminada, seguindo o princípio vaugelasiano de aplicação do inutilia truncat
[cortar as inutilidades]. Mas um linguista acha estranha - e com razão - essa tentativa de corrigir a língua, quase como um arremedo de eugenia. Não só os linguistas modernos. Também os pré-saussurianos achavam isso, tinham as mesmas preocupações e eram igualmente coe­rentes nas suas posturas.

Intrigado com esse decreto de Cândido de Figueiredo, um linguista mineiro, Lindolfo Gomes (1875-1953), publica em O Estado de São Paulo, de 4 de agosto de 1913 (transcrito na Revista Lusitana, no mesmo ano), um estudo detalhado sobre a origem dessa construção sintática. Argumentou solidamente - derrubando o achismo de Figueiredo por meio de provas documentais - que a construção remonta ao século XVII e pode entrever-se já em Rui de Pina, Garcia de Resende e Tomé da Veiga. A explicação para sua irregularidade provém, como sempre, de uma regularidade mais antiga. Assim, em vez de dizer "fez com que ele partisse", os autores mais antigos diziam "fez com ele que partisse". A preposição atraiu o pronome relativo, jogando o sintagma nominal para a frente, gerando assim um falso sujeito, única possibilidade de interpretação. Gomes conclui que "com que" não é uma locução conjuntiva, mas "vestígio preposicional de um adjunto adverbial latente". Parece-nos muito razoável tal explicação, cujo sucesso é devido aos dados. Mais que isso, dá dignidade a uma forma que até então sofria preconceito injusto, por parecer ilógica. Na verdade, a "lógica" que se deve procurar nunca é contemporânea, mas se encontra em sincronias pretéritas. O fato de ninguém as conhecer alavanca posturas que se voltam contra estruturas irrepreensíveis.

Fenômeno brasileiro
Da mesma forma, dizer que é errada a construção "ir em algum lugar" em vez de "ir a algum lugar" se tornou algo quase consensual, quando muito tolerável para distinguir língua falada e língua escrita. Dependendo do contexto, é quase um definidor de status, pois há sempre o pressuposto de que só uma pessoa inculta ou iletrada não consegue reprimir, numa situação formal, o uso da preposição "em" com "ir" e privilegiar o neutro e artificial "a". Como se trata de um fenômeno brasileiro, alguns chegaram ao absurdo de afirmar que esse "em" remonta a construções africanas. Mas a verdade é que "ir em" é medieval, aparece em dialetos portugueses atuais e em muitos lugares onde se formaram línguas românicas, por exemplo, na Romênia.

Em latim, o verbo ire com ad significava "ir para as proximidades de", já ire com in mais o caso acusativo significava "ir para dentro de". Ninguém implica com formas equivalentes como "chegar em". Não há nada de africanismo nesse uso da preposição. Os defensores dessa hipótese veem na expressão coloquial ni mim um elemento supostamente igual ao de algumas línguas africanas. Além do fato de o ni aparecer em outras línguas não-africanas como partícula de localização (por exemplo, no japonês), o problema mais sério é que nessas línguas, ni é uma posposição e não uma preposição.

Uma mudança estrutural seria muito forçada, quase absurda, para justificar o empréstimo, além do fato de que as preposições não são facilmente emprestadas no contato linguístico, como o são os substantivos ou verbos. A forma ni equivale a "de" (pronunciado [di]), criada por analogia: "do", "da", "de", no, na, ni. Mais coerente seria grafá-la como ne, quando, por exemplo, não nos valendo do alfabeto fonético internacional, queremos reproduzir a "fala real" (como na fala do Chico Bento, de Maurício de Sousa), mas a tradição é que manda em assuntos de escrita, como dizia Fernão de Oliveira, primeiro gramático da língua portuguesa.

Caipiras
Inúmeras outras idiossincrasias da gramática provocam a extinção de formas muito antigas correntes, à medida que a população se torna cada vez mais letrada.

Costumo dizer aos alunos que, se conhecem alguma expressão somente usada entre seus familiares, que a empreguem sem vergonha em outros contextos.

Assim, passando-a para a frente (em vez de a reprimir), não serão responsáveis pela sua extinção. Além do seu direito à vida, cada extinção de expressões pouco prestigiadas é uma tragédia para a linguística histórica e para a etimologia. É um elo que se perde para sempre, da mesma forma que a extinção de uma espécie biológica causa uma lacuna irrecuperável na compreensão da filogenia e da evolução dos seres vivos. Não salvemos só micos-leões, mas também as expressividades que o Brasil arcaicamente conservou durante séculos. Devemos lembrar que até mesmo formas que não correm tanto risco, como "eu vi ele", consideradas horríveis por puristas, aparecem em textos do século XV e são perfeitamente explicáveis pela linguística.

Consultando os Opúsculos, do português José Leite de Vasconcelos (1858-1941), uma gama enorme de palavras e pronúncias familiares desfila página após página diante de nós. O nosso "ta" em vez de "está" ocorre também em Portugal, assim como a preposição "pra" em vez de "para". Não houve, nesses dois casos, atuação da pronúncia indígena ou africana (aliás, pouca coisa, na área da gramática possui tais origens, já o mesmo não se pode falar do léxico ou da toponímia).

Muitas pronúncias que pensaría­mos ser típicas dos caipiras e matutos ainda eram correntes em Portugal no começo do século XX: "arve", "fruita", "úrtimo", "marfeito", "prantar", "invaporar", "num quero", "coiso", "gumitar", "home" (e o diminutivo "hominho"), "memo", "mermo", "muléstia", "mericano", "ruim", "muntar", "cama", "inselência", "Cremente", "grandissíssimo", "maginar", "onte", "tamém", "adequerido", "beim nharto" (bem alto), "qué" (quer), "quarquer", "cheguemos", "nós semos", "agoneia", "vinhemos", "inté", "vosmecê", "barboleta", "bença" (bênção), "crendeuspadre", "munto" (muito), "pagou a pena" (valeu a pena), "agardecido", "parteleira", "pinguela", "batucar", "eu le dei", "macetar" (esmagar), "pipino", "piqueno", "piqueninho", "púbrico", "praino" (plano), "queto" (quieto), "dia de São Nunca", "sastifeito", "abobra", "marelo", "drumir". A semelhança entre essas formas portuguesas e as caipiras são surpreendentes e, nesse sentido, há projetos que buscam estudar cientificamente esses fatos, como o Projeto Caipira (USP) e o Iboruna/Alip (Unesp de São José de Rio Preto).

Estigma
Também na lista deve-se incluir o agora raro "estrudia" (que provém de "estoutro dia", como prova Vasconcelos), em vez de "outro dia desses", testemunhado na imitação humorística e estereotipada da fala mineira. Amadeu Amaral (1875-1929) documenta a forma jinela no português caipira de São Paulo e Vasconcelos também o documenta em Portugal. Hoje, essa forma - se não estiver completamente extinta - está escondida em algum canto, pois não se ouve espontaneamente.

Da mesma forma, a pronúncia de "lua" com u nasal (como em "muito") é agora rara nos dois lados do Atlântico. Longe de ser fruto de ignorância ou uma excentricidade, essa nasalidade do u nessa palavra é o que sobrou da antiga consoante nasal n da palavra antiga luna, a qual está presente em palavras cultas como "sublunar" ou em outras línguas românicas, como o espanhol luna ou o francês lune. Também na pronúncia "chuiva" nenhum i foi acrescentado, pois é uma conservação do latim pluvia (com metátese): também se vê no espanhol lluvia. Ao contrário, foi a variante utilizada pela forma culta que perdeu esse som.

Pinchar
A palavra "pinchar" era comum entre os caipiras, no ambiente rural de Portugal e em lugares longínquos como a Malásia, para onde os portugueses levaram nossa língua. Hoje, apesar de existente, parece confinar-se à lamentável representação estereotipada do caipira ignorante, sobretudo depois do enriquecimento do interior paulista.

Estigmatizar, infelizmente, voltou à moda com o fenômeno da suposta ascensão social ou do maior leque de consumidores. Ninguém quer se identificar com uma classe iletrada e ignorante, que já perdeu todos os seus valores na revolução industrial brasileira. Mas, para além de ser lamentável, esse comportamento é um desserviço à história da nossa língua e nos mantém para sempre ignorantes do que houve no passado e das razões da peculiaridade de nossa pronúncia, gramática e vocabulário. Instaurado esse vácuo, só sobra espaço para o mito e para os charlatães que, com suas maravilhosas e inconsistentes histórias, se cercam de uma falsa aura de sabedoria.

Mário Eduardo Viaro é professor de língua portuguesa pela USP, autor de Por trás das Palavras (Globo, 2004)

Fonte : revista língua portuguesa - ver marcadores

Freud e o mal-estar inerente à condição humana

De acordo com o pensamento freudiano, os homens estão fadados a serem infelizes ou, ao menos, a não gozar de uma felicidade plena.

Por Fátima Caropreso
Fátima Caropreso é doutora em Filosofia e pós-doutoranda no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.

"O propósito de que o homem seja `feliz` não está contido no plano da Criação". Esta afirmação de Freud sintetiza bem a ideia geral do seu texto Mal-estar na cultura, publicado em 1930. Nesse texto, Freud envereda por uma longa reflexão sobre a origem da cultura e as condições de sua possibilidade, tendo em vista esclarecer os motivos que fazem que certo "mal-estar" seja inevitavelmente inerente à vida humana na civilização.

No texto O futuro de uma ilusão (1927) Freud define "cultura" ou "civilização" como tudo aquilo no qual a vida humana se elevou acima de suas condições animais e se distingue da vida animal. Por um lado, diz ele, a cultura abarca todo o saber e o poder-fazer que os homens têm adquirido para governar as forças da natureza e lhes arrancar bens que satisfaçam suas necessidades. Por outro lado, compreende todos os meios usados para regular os vínculos entre os homens e para regular a distribuição dos bens entre eles. Este último aspecto da cultura (a regulação dos vínculos entre os homens), como veremos, seria a fonte principal do mal-estar inerente à vida humana, mas seria, ao mesmo tempo, a condição de sua existência.

"A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz" FREUD

Essas duas orientações da cultura não são independentes, argumenta Freud. Primeiro, porque os vínculos recíprocos entre os seres humanos são profundamente influenciados pela medida de satisfação das necessidades pulsionais que os bens existentes tornam possível. Segundo, porque o ser humano individual pode se relacionar com seu semelhante como se fosse ele mesmo um bem, por exemplo, quando explora a sua força de trabalho. E, em terceiro lugar, porque todo indivíduo é virtualmente um inimigo da cultura, a qual, contudo, está destinada a ser um interesse humano universal.


No texto Mal-estar na cultura, Freud se pergunta o que os seres humanos querem alcançar na vida e responde que seu objetivo é atingir a felicidade e mantê-la. No entanto, o máximo que conseguem é gozar de uma felicidade momentânea, resultante, na verdade, da satisfação de necessidades retidas com alto grau de estase. Só podemos gozar o "contraste", diz ele, e nunca o estado.

Por exemplo, sentimo-nos felizes quando encontramos alguém amado que há tempo não víamos, mas o estado de felicidade que vivenciamos nos primeiros momentos do encontro, logo se dissipa, dando lugar a um sentimento menos intenso. Mas se os momentos de felicidade são raros, os de infelicidade são bem mais frequentes, discorre o autor.

O sofrimento nos ameaça de três lados:

1) a partir do corpo, que destinado à ruína, não pode evitar a dor e a angústia;
2) a partir do mundo externo, que nos ameaça com suas forças hiperpotentes;
3) a partir dos vínculos com os outros seres humanos.

As duas primeiras fontes de sofrimento nos parecem facilmente compreensíveis e inevitáveis, embora, é claro, possamos fazer muito para amenizar o sofrimento por elas provocado. Já a terceira nos causa certa estranheza, dado que aparentemente parece ser supérflua. No entanto, ao julgarmos essa terceira fonte de sofrimento como algo que poderia ser evitado, nos enganamos.

Tendo em vista a gênese e as condições de manutenção da civilização, a relação entre os homens seria fonte inevitável de sofrimento, segundo o pensamento freudiano.

Os vínculos entre os seres humanos são influenciados pela medida de satisfação das necessidades pulsionais que os bens existentes tornam possível

Segundo Freud, o passo cultural decisivo, no âmbito das relações entre os homens, teria sido a substituição do poder do indivíduo pelo da comunidade. Antes disso, os vínculos entre os homens teriam estado submetidos à arbitrariedade de alguns indivíduos: aqueles de maior força física dominariam os demais de acordo com seus próprios interesses e necessidades.

A partir de certo momento, o poder do indivíduo passa a ser condenado como "violência bruta" e o poder da comunidade se contrapõe como "direito" àquele do indivíduo. Como consequência, surge uma limitação das possibilidades de satisfação (dos impulsos agressivos e sexuais) que os membros da comunidade até então desconheciam. Nesse momento, portanto, a maior parte dos homens troca parte de sua liberdade por uma maior segurança.

A gênese da Cultura
O próximo requisito cultural que se torna necessário é a justiça, ou seja, encontrar meios para garantir que a ordem jurídica estabelecida não seja quebrada para favorecer a um indivíduo ou grupo.

O desenvolvimento cultural passa, então, a buscar evitar que as leis que regem os homens sejam expressão da vontade de uma comunidade restrita (de um extrato da população, de uma etnia...), que pudesse voltar a se comportar a respeito do restante da população como o faria um indivíduo violento.

O resultado desse processo seria, então, alcançar certa regulação para os vínculos entre os homens, à qual requereria destes certa renúncia de suas satisfações pulsionais, mas lhes garantiria, em compensação, que ninguém fosse vítima da violência bruta. Tendo isso em vista, conclui Freud: "a liberdade individual não é um patrimônio da cultura", pois o desenvolvimento cultural impôs aos homens certa limitação de sua liberdade; e boa parte da luta da humanidade gira em torno da tarefa de encontrar um equilíbrio entre as demandas individuais e as exigências culturais das massas.

Mas será que é possível, a partir de certa configuração cultural, alcançarmos esse equilíbrio, ou o conflito é inevitável? - pergunta-se Freud. Para tentar encontrar uma resposta a esta questão, é preciso aprofundar um pouco mais a reflexão sobre as limitações das satisfações pulsionais exigida pela Cultura.

Repressão sexual

Uma das bases sobre a qual se edifica a cultura é a repressão da sexualidade, pois ela retira parte da energia psíquica necessária para a sua manutenção da limitação da satisfação sexual direta, ou seja, ela exige que os homens usem parte de sua energia sexual para o trabalho e para outras atividades culturais.

Assim, diz Freud, a cultura se comporta em relação à sexualidade como um povo que submete outro para explorá- lo. Essa limitação da sexualidade, contudo, não é algo facilmente alcançado.

É necessário um trabalho de domesticação das pulsões sexuais desde o início do desenvolvimento psíquico do indivíduo, o que faz que seu primeiro passo consista na proibição das exteriorizações da vida sexual infantil.

"É quase impossível conciliar as exigências do instinto sexual com as da civilização" FREUD

A cultura acaba, então, impondo a reivindicação de uma vida sexual uniforme para todos os seus membros: a escolha de objeto do sujeito sexualmente maduro é circunscrita ao sexo contrário; a maioria das satisfações não genitais é proibida como perversão; além da exigência de monogamia e legitimidade das relações. Em outras palavras, a cultura só permite relações sexuais sobre a base de uma ligação definitiva e indissolúvel entre um homem e uma mulher.

O máximo que os homens conseguem é gozar de uma felicidade momentânea, resultante, na verdade, da satisfação de necessidades retidas com alto grau de estase

No entanto, esta exigência de vida sexual uniforme imposta aos indivíduos, argumenta Freud, não leva em conta as desigualdades na constituição sexual inata e adquirida dos seres humanos, o que acaba por distanciar grande parte deles do gozo sexual.Muitas pessoas não conseguem satisfizer-se sexualmente a partir das atividades sexuais consideradas legítimas e, dado que a sexualidade consiste em uma necessidade humana - assim como a de alimentação, respiração e tantas outras -, a impossibilidade de obter satisfação sexual acaba levando muitos homens a adoecer psiquicamente.

As pulsões sexuais insatisfeitas buscam uma forma de satisfação substitutiva por meio dos sintomas neuróticos. Dessa maneira, a repressão da sexualidade converte-se em uma das fontes de sofrimento impostas pela cultura aos homens. Freud conclui, então, que "a vida sexual do homem culto recebeu grave dano (...) podemos supor que experimentou um sensível retrocesso quanto ao seu valor como fonte de felicidade". (Freud, 1930, p.103).

Fonte: Ciência e vida - ver marcadores




Karl Marx e sua influência no mundo moderno


da Folha Online


Explicar o pensamento de Karl Marx (1818-83) não parece ser, à primeira vista, algo muito difícil. Afinal, ele queria ser entendido. Fazia parte de sua teoria que ela pudesse cooperar na transformação das condições da sociedade capitalista, sendo assimilada, discutida e posta em prática já pelos operários do seu tempo.

Por outro lado, seu poder de previsão demonstrou ser tão grande que o mundo em que hoje vivemos acabou se tornando demasiado semelhante ao das tendências descritas por Marx. O surgimento dos enormes conglomerados financeiros e industriais, invertendo a lógica da concorrência do século 19; o processo gradativo de substituição de mão-de-obra por máquinas cada vez mais sofisticadas; a irradiação da forma de mercadoria a quase todos os produtos e relações sociais; as crises econômicas; a política como manifestação de conflitos sociais distributivos; o predomínio crescente da especulação financeira sobre a criação de valores efetivos, com a conseqüente projeção para um futuro incerto de todos os preços e expectativas - tudo isso está em O Capital como tendência resultante dos processos então observados.

Explicar a obra de Marx, portanto, é tarefa que parece esbarrar no lugar-comum de situações consideradas hoje normais, a tal ponto que dispensam explicações.

Mas desmascarar esta normalidade, isto é, o modo com que condições sociais historicamente específicas se apresentam como eternas e naturais, é justamente um dos objetivos centrais de tal obra. Mais do que descritiva e explicativa, ela é uma teoria crítica da sociedade atual, descobrindo a correlação profunda entre as dimensões positiva e negativa de sua realidade. Inspira-se para tanto na dialética de Georg Hegel (1770-1831), cujo caráter idealista condena, conservando o que chamará de "núcleo racional".

Em poucas palavras: a dialética reproduz o movimento contraditório pelo qual algo se apresenta como o inverso do que é. Em sua versão hegeliana, de acordo com Marx, a dialética revelaria que, por trás da aparente diversidade das coisas, se oculta o oposto, a unidade essencial do mundo - descoberta de enorme poder consolador.

Na versão materialista de Marx, porém, a dialética mesma é invertida, e tem a função crítica de revelar a desigualdade social na base da igualdade de todos perante a lei, característica da sociedade civil moderna. A partir daí, é possível entender as decorrentes estratégias de inversão e de encobrimento pelas quais as relações sociais decisivas criam toda uma outra camada de realidade, com relações sociais opostas às da camada primeira. Assim, o implacável vínculo existente entre os indivíduos é de tal ordem que se manifesta como independência mútua desses indivíduos, como se entre eles o vínculo fosse tênue. Donde decorrem a sensação de liberdade e o individualismo exacerbado.

A igualdade, portanto, é determinada pela desigualdade; a liberdade individual, pelo nexo inexorável de relações de mercado. E tudo isso aparece como algo natural, que sempre foi e será como agora, para o que não há alternativa.

Mas esta normalização de condições muito específicas, esta naturalização de situações históricas, diz Marx, não é uma mera ilusão de ótica, e sim também resultado da maneira com que a sociedade capitalista se estrutura.

Com o conceito de "fetichismo", ele fornece uma explicação extremamente rica e fértil para tais processos, seguida e desenvolvida por importantes vertentes filosóficas e sociológicas do século 20.

A crítica social, por outro lado, tem como contrapartida a da sua teorização pelos economistas. Dedicado desde a juventude ao estudo da Economia Política, disciplina fundada no século 17, na Inglaterra das revoluções burguesas, Marx aqui contou com o estímulo e a colaboração de seu grande amigo Friedrich Engels (1820-95). Juntos escreveram vários textos; e na maturidade Engels continuou ajudando Marx em alguns pontos da grande obra sobre a economia moderna que este preparou durante longos anos. Tratava-se de apontar, nas lacunas teóricas das obras dos economistas, a atuação da realidade social mesma que eles explicavam sempre só parcialmente.

É que os processos mencionados acima produziam até no plano do pensamento uma visão individualista e naturalizada da economia dita de mercado.

A constatação de que esta visão não se enfraqueceu hoje em dia - ao contrário, tornou-se quase hegemônica - permite avaliar o quanto a crítica de Marx ganhou atualidade. Ela não nega os fenômenos do mercado, das decisões individuais, da liberdade de movimento dos agentes econômicos; mas também não aceita que tais fenômenos sejam simplesmente dados naturais, e procura revelar sua origem em uma camada da sociabilidade que se oculta neles como seu avesso.

Com isso, Marx obtém uma perspectiva muito mais abrangente e adequada da dinâmica social capitalista, de simultâneo progresso e destruição. De fato, já o Manifesto Comunista (de 1848) faz o diagnóstico eloqüente do tempo instituído pelo capital: "Essa subversão contínua da produção, esse abalo constante de todo o sistema social, essa agitação permanente e essa falta de segurança distinguem a época burguesa de todas as precedentes. Dissolvem-se todas as relações sociais antigas e cristalizadas, com seu cortejo de concepções e de idéias secularmente veneradas; as relações que as substituem tornam-se antiquadas antes de se consolidarem. Tudo o que era sólido e estável se desmancha no ar, tudo o que era sagrado é profanado".

Os capítulos a seguir procurarão desenvolver essas questões, apresentando a crítica de Marx desde o conceito de "alienação", elaborado ainda em sua juventude. Apesar do quase inevitável começo pelo começo, a abordagem não se conduzirá pelo fio condutor da biografia intelectual do autor, mas por um ordenamento de idéias, mais significativo para a compreensão do que interessa. A perspectiva dialética do capitalismo aí aparecerá pelos conceitos de fetichismo, ideologia, crise e revolução.

terça-feira, junho 02, 2009

Construindo um Império - Grécia

A civilização ocidental foi influenciada por muitas culturas, mas seu nascimento teve lugar na antiga Grécia. Além de filósofos como Aristóteles e Sócrates, os deuses olímpicos, o início da democracia e conquistadores como Alexandre Magno, a Grécia trouxe como contribuição para a humanidade idéias geniais, que enriqueceram a arte da arquitetura e da construção.

Parte I


Parte II

sábado, maio 30, 2009

Documentário "Uma verdade inconveniente"

Esse documentário trata de uma das questões mais sérias da atualidade, pois a base de tudo que somos e temos está na natureza,estes assuntos têm que ser tratados por uma Ciência séria(verdadeira)através de centros de pesquisas conceituados pelo mundo e tomar medidas sem exageros extremos e erradas que não levam a um curso positivo.




Para uma visão da evolução assista estes vídeos da esquerda para direita: ver marcadores.

End Game - O Plano para a Escravidão Global

Nesse muito importante documentário ele denuncia um dos mais ocultos e perigosos grupos criminais que existe na Terra, o Grupo Bilderberg, que é justamente uma sociedade secreta dos maiores nomes da Elite dominante do Mundo.
Como poderão ver no documentário é essa gente que está por trás das Guerras, dos ataques terroristas e da miséria que reina soberana no planeta.


Parte I


Parte II



Listas de reprodução do Canal: ver marcadores.

sexta-feira, maio 29, 2009

Estamos deixando de ser idiotas?

Por Gilberto Dimenstein.

Nação idiota é aquela em que os alunos saem da escola sem aprender a ler e escrever direito. Não há civilidade democrática que se construa a partir disso. Nesse sentido, somos uma nação idiotizada --e vamos ser por muito tempo. Há, porém, motivos para celebração, como este plano anunciado pelo governo federal para estimular a formação do professor.

O que se pretende é aprimorar a seleção de professor , além de aumentar a oferta e melhorar a qualidade dos cursos de formação nas universidades. É algo que vai ao encontro do anúncio do governo de São Paulo de obrigatoriedade de um curso antes de o professor, já aprovado em concurso, passar mais um tempo estudando.

Estamos tocando na essência do nosso subdesenvolvimento: a baixa qualificação dos professores. Isso se deve a toda uma mobilização, crescente, da sociedade pelo ensino público. É o avanço político mais importante do país.

Ainda é apenas o começo. Mas a verdade é que todas essas ideias só vão mesmo funcionar quando pudermos atrair os talentos da sociedade para dentro da escola. Atrair significa a combinação de salário com reconhecimento social.

Atrair talentos significa que uma comunidade coloca em primeiro lugar a qualificação de todos os seus integrantes, e não apenas da elite. A novidade é que nossa elite econômica não só aceita como se mobiliza a favor desse princípio tão simples.

Por isso, que a tarefa de melhoria da educação só é comparável à abolição da escravatura.

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terça-feira, maio 26, 2009

Edith Piaf - biography



"Hino ao amor"

" Si un jour, la vie t'arrache à moi,

Si tu meurs, que tu sois loin de moi

Peu m'importe, si tu m'aimes,

Car moi, je mourrai aussi...."



"Se um dia, a vida te arrancar de mim,

Se morreres, se ficares longe de mim

Que me importa, se me amas,

Porque eu morrerei também."...