sábado, outubro 24, 2009

sexta-feira, agosto 07, 2009

Salvador = Encanto


Nada se compara a Salvador e sua cultura. É tanta riqueza que dá até para esquecer a orlaSalvador tem seu lado Dorival Caymmi, dos pescadores e dos coqueiros. Tem a Salvador de Jorge Amado, do Rio Vermelho, do candomblé, da morosidade sensual. Tem a de Caetano e Gilberto Gil, a do pôr-do-sol no Porto da Barra. A de Ivete, Daniela e Margareth, em ritmo acelerado pela Ondina. Mas Salvador vai muito além dessas e outras dezenas de descrições: culturalmente, é a cidade mais intrigante do país.
A primeira capital do Brasil é a mais negra cidade fora da África: 74% da população declara-se de pele negra ou mestiça. A herança pode ser vista em todo lugar, na música, na comida, no candomblé, na capoeira - tudo condensado no Pelourinho, conjunto de construções dos séculos 17 e 18 da Cidade Alta. Restaurado há quase vinte anos, abriga lojas, centros culturais, cafés, restaurantes, ateliês e igrejas - entre elas, a Igreja de São Francisco, com seus 800 quilos de ouro. O Pelô lota às terças, dia de missa e do ensaio do Olodum, de outubro a março.
Na Cidade Baixa, 75 metros abaixo do Pelourinho, Salvador estica sua exuberância pela orla. Começa no Forte de Santo Antônio Além do Carmo, com a capoeira de João Pequeno, segue pelo Mercado Modelo, logo abaixo do Elevador Lacerda, depois pelo Porto da Barra, pelo Rio Vermelho dos pescadores e estica até Itapuã e a Abaeté. Só não espere grandes exuberâncias na paisagem natural: praia boa para banho só ao norte, a partir do Flamengo. Mas há tanto a se ver e fazer na capital baiana que dá até para se esquecer desse mero detalhe.

quinta-feira, agosto 06, 2009

O papel do hormônio nos relacionamentos femininos

A progesterona, cujos níveis sanguíneos oscilam ao longo do ciclo menstrual, parece ter um papel importante nas relações afetivas, pelo menos para mulheres (embora os homens também tenham pequenas quantidades desse hormônio feminino). É o que aponta uma pesquisa realizada na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. O estudo analisou a concentração de progesterona na saliva de 160 universitárias, sendo que metade delas participou de tarefas em dupla, destinadas a incentivar a proximidade afetiva. As demais voluntárias receberam a incumbência de realizar a tarefa neutra do ponto de vista da interação social. Após 20 minutos as participantes enfrentaram o mesmo parceiro num jogo de cartas computadorizado, ocasião em que os cientistas coletaram amostras de saliva, a fim de medir, além da progesterona, também o cortisol, conhecido hormônio do stress.

Os resultados, publicados na revista Hormones and Behavior, mostram que as jovens do primeiro grupo apresentaram aumento da concentração do hormônio feminino, enquanto os níveis de cortisol seguiram inalterados. No segundo grupo não foram detectadas mudanças em nenhuma das jovens. Para os autores, essa é uma evidência de que a progesterona, além de sua conhecida função no ciclo reprodutivo da mulher, também faz parte do sistema neuroendócrino que regula o comportamento social humano.


Fonte: Revista Mente e Cerebro

O que há com nomes em latim? O talento especial por trás das espécies e gêneros

FOTOGRAFIA DE FLYNN LARSEN; ILUSTRAÇÃO DE MATT COLLINS

por Steve Mirsky

O papa-léguas é classificado como Geococcyx californianus. O menor, como Geococcyx velox. E aquele mais familiar, do desenho animado (bip, bip), foi designado em ocasiões diferentes como Accelerati incredibilus, Velocitus tremenjus, Birdibus zippibus, Speedipus rex e Morselus babyfastious tastius. E quem fracassa em suas tentativas de apanhá-lo é Wile E. Coyote, ele próprio classificado como um representante das espécies Carnivorous slobbius, Eatius birdius, Overconfi dentii vulgaris, Poor schinookius ou Caninus nervous rex. (Os coiotes reais são Canis latrans, o que soa como um banheiro usado por legionários romanos.)

Então a quem nós, e as figuras do desenho animado, temos a agradecer por criar as regras que levaram a todo esse pomposo humor alatinado? A ninguém menos que o naturalista sueco Carl Linnaeus, que era tão apaixonado por nomear coisas que deu a si mesmo alguns outros: Carl Linné, Carl von Linné, Carolus Linnaeus e Caroli Linnaei, nomes pelos quais propôs o sistema padrão de gênero das espécies da nomenclatura taxonômica binominal, ainda usada para registrar toda a vida existente. O ano de 2007 foi o do tricentenário do nascimento de Linnaeus, o que mostra que a contribuição de algumas pessoas dá a elas uma vita postmortem que não é nada brevis.

O jornalista e fofoqueiro americano H. L. Mencken fez um involuntário tributo à classificação de Linnaeus quando apelidou grande parte da população americana de Boobus americanus. (Não se preocupe. São os outros, não você.) Mencken descreveu o perpetuamente mistificado B. americanus como “um pássaro que desconhece a estação proibida”, o que coincidentemente descreve o Papa-Léguas, também conhecido como Disappearialis quickius. Mencken, por falar nisso, cobriu o famoso caso Scopes, no qual o Homo sapiens tratou a idéia de estar relacionado ao Gorilla gorilla e ao Pan troglodytes como se fosse uma infecção da Yersinia pestis.
Entre os muitos comentários enérgicos sobre o H. sapiens, está o de que “um idealista é alguém que, sabendo que uma rosa cheira melhor que um repolho, conclui que ela também dará uma sopa melhor”. E, na verdade, misturando qualquer uma das numerosas espécies do gênero Rosa com Brassica oleracea do grupo Capitata, fica ainda mais aloprado (Bertholetia excelsa) em latim. Prevenir a confusão é uma razão pela qual o sistema de Linnaeus é tão útil: o presidente francês pode chamá-lo um “moineau”, o rei da Espanha Juan Carlos, de um “gorrión”, e o vice-presidente americano Dick Cheney pode (ou não) bradar “explosão à frente!” antes de abatê-lo do céu, mas o pássaro em questão seria reconhecível por todos os seus conselheiros científicos como Passer domesticus. Que também é conhecido em inglês como um pardal doméstico. E por não terem os nomes comuns das espécies a autoridade das designações oficiais de Linnaeus, mesmo dentro de uma mesma língua, o pardal doméstico é conhecido também em inglês como o pardal inglês. Algum taxonomista pode ajudar?

Os dois grandes trabalhos gêmeos de Linnaeus foram o Species planterum, de 1753, no qual classificou toda espécie conhecida de vegetação, e o Systema naturae, de 1758, que celebra 250 anos este ano e foi o primeiro esforço importante de organização do mundo animal. O verbete sobre Linnaeus na Wikipedia nota que, por ter o hábito de nomear todas as coisas vivas que encontrava, “pensava em si mesmo como um segundo Adão”. A capa de Systema naturae mostra um homem, presumivelmente Linnaeus, atirando títulos latinos a “novas criaturas enquanto são criadas no Jardim do Éden”. Ele não era um membro em extinção do gênero Viola.

Linnaeus parece ter ocasionalmente abusado de seu poder apelativo. O Jardim Botânico de Nova York, que em novembro passado fez uma rara exibição pública da própria cópia anotada por Linnaeus de seu Systema naturae, ressalta em seu website que “ele se vingou de seus críticos dando seus nomes a plantas e animais desagradáveis. Por exemplo, nomeou a Siegesbeckia, erva daninha sem atrativos que exala um líquido de mau cheiro, por causa do botânico alemão Johan Siegesbeck”. Linnaeus seria assim provavelmente um pé no Scrotum. Mas sem ele, a biologia poderia não ter se tornado uma ciência respeitável.

Fonte:Scientific American Brasil

Saúde básica para todos

Dez soluções para garantir serviço fundamental a um custo quase insignificante
por Jeffrey Sachs


Um recente relatório da UNICEF sobre mortalidade infantil apresenta dados perturbadores, mas, surpreendentemente, também traz um pouco de esperança. O choque é que 9,7 milhões de crianças com menos de cinco anos morreram em 2006. A boa notícia que essa estatística desoladora traz é que, de fato, esse número representa uma queda em relação aos 12,7 milhões em 1990, dentro de uma população de aproximadamente 630 milhões de crianças com menos de cinco anos para ambos os períodos. Uma notícia ainda melhor é que as outras quase 10 milhões de mortes são quase que totalmente evitáveis, a baixo custo, de uma forma que aliviará em vez de exacerbar as pressões sobre os países pobres.

Quase todas as mortes (aproximadamente 98%) ocorrem nos países em desenvolvimento. Esses casos são o resultado de situações de extrema pobreza e de sistemas de saúde precários em países pobres. As causas da mortalidade refletem as condições de vida inseguras dos pobres (como a vulnerabilidade a doenças tropicais, água potável duvidável e poluição do ar interna) e a falta de acesso a serviços de saúde preventivos e curativos. Os principais colaboradores para as altas taxas de mortalidade são os óbitos que ocorrem nos primeiros 28 dias depois do nascimento, provocados por diarréia (em razão do consumo de água infectada), infecções respiratórias (geralmente provocadas pelo uso de fornos a lenha), malária e doenças que podem ser evitadas com a administração de vacinas. Estima-se que em torno de metade de todas as mortes apresenta como co-fator uma subnutrição crônica.

Há 60 anos, no lançamento da Organização Mundial de Saúde, os governos mundiais declararam a saúde como direito humano fundamental, “sem distinção de raça, religião, crença política, condição social ou econômica.” Há trinta anos, em Alma Ata, os governos do mundo pediram saúde para todos até o ano 2000, principalmente através da expansão do acesso a instalações e serviços de saúde básica. Embora o mundo tenha de longe deixado de atingir esse alvo, podemos ainda chegar a ele, a custos muito baixos. Dez passos básicos podem levar à saúde para todos nos próximos anos.

Primeiro: países ricos deveriam investir 0,1% de seus produtos internos brutos para cuidados com saúde nos países de baixa renda. Com o PIB do mundo rico de U$ 35 trilhões, isso criaria um fundo de cerca de U$ 35 bilhões por ano – o bastante para U$ 35 per capita em serviços adicionais para cerca de um bilhão de pessoas.
Segundo: metade do acréscimo deveria ser canalizada para o Fundo Global de Combate a Aids, Tuberculose e Malária. O Fundo Global provou ser uma instituição altamente eficaz, com mínimo de burocracia e máximo impacto. Apoiou a distribuição de aproximadamente 30 milhões de redes anti-malária, ajudou a colocar cerca de um milhão de africanos em tratamento anti-retroviral e a curar mais de duas milhões de pessoas com tuberculose.

Terceiro: países de baixa renda deveriam destinar 15% de seus próprios orçamentos à saúde. Considere um país pobre onde a renda média anual é de U$ 300. O orçamento total nacional pode estar em torno de 15% do PIB, mais ou menos U$ 45 per capita. Quinze por cento desta soma destinada à saúde chegaria a U$ 6,75 por pessoa por ano. Não o bastante por si mesmos para fornecer cuidados de saúde adequados, mas que cumpririam a tarefa com os U$ 35 per capita de doações.

Quarto: o mundo deveria adotar um planejamento para o controle abrangente da malária, visando levar a mortalidade pela doença a próximo de zero em 2012, com amplo acesso a redes anti-malária, borrifamento de lares, quando apropriado, e remédios eficazes quando a doença atacasse.

Quinto: os países ricos deveriam seguir em seu antigo e realizável compromisso de assegurar acesso a anti-retrovirais para todas as pessoas infectadas pelo HIV até 2010.

Sexto: o mundo deveria preencher uma carência de financiamento de cerca de U$3 bilhões por ano para um controle amplo da tuberculose – outra área na qual há muito tempo se provou que as intervenções são eficazes, mas onde há falta crônica de fundos.

Sétimo: o mundo deveria garantir, com uns poucos bilhões de dólares por ano, o acesso dos mais pobres entre os pobres aos serviços de saúde sexuais e de reprodução, incluindo planejamento familiar, contracepção e cuidados obstétricos de emergência.

Oitavo: o Fundo Global poderia oferecer cerca de U$ 400 milhões por ano para o controle amplo de diversas doenças tropicais (principalmente as infecções por vermes), que ocorrem virtualmente nas mesmas regiões onde a malária é endêmica.

Nono: o Fundo Global poderia abrir um novo mecanismo de financiamento para incentivar o cuidado primário de saúde, incluindo – o mais importante – a construção de clinicas e a contratação e treinamento de enfermeiras e trabalhadores comunitários de saúde.

Décimo: ao usar recentes conquistas na medicina e na saúde pública os sistemas de saúde expandidos nos países mais pobres poderiam estar equipados para lidar com doenças não comunicadas e há muito negligenciadas, mas que podem ser tratadas a custo baixo, como hipertensão, catarata e depressão.

Estes passos simples poderiam salvar a vida de 10 milhões de crianças e adultos por ano, a um custo quase imperceptível para as nações mais ricas. Essas medidas ainda iriam reduzir, e não acelerar, o crescimento populacional em regiões empobrecidas, diminuindo as tensões econômicas e ambientais que populações crescentes estão impondo a elas. A saúde para todos não é apenas o imperativo moral que era no lançamento da Organização Mundial de Saúde há 60 anos - é também a melhor pechincha prática no planeta.

Jeffrey Sachs é diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia

Fonte: Scientific American

Decifrada ação amnésica da maconha


Droga ativa síntese de proteínas em região do cérebro responsável pela formação da memória.

Uma equipe liderada por cientistas espanhóis acaba de decifrar como a maconha é capaz de afetar a memória de seus usuários. Um estudo feito com camundongos mostra que a droga ativa um mecanismo relacionado à síntese de proteínas em uma região específica do cérebro responsável pela formação e consolidação de memórias. A descoberta pode levar ao desenvolvimento de terapias para prevenir esse efeito nocivo no uso medicinal da maconha.

O déficit de memória é uma das principais consequências associadas ao uso da maconha (Cannabis sativa). Estudos anteriores mostravam que os compostos canabinoides ativam receptores específicos (CB1R) em uma região do cérebro chamada hipocampo. Esses receptores afetam o poder de conexão dos neurônios e prejudicam a resposta cognitiva dessa área cerebral. Mas até hoje não se conhecia o mecanismo preciso que gera o efeito amnésico da maconha.

A nova pesquisa, publicada na revista Nature Neuroscience desta semana, investigou a ação do THC, principal composto químico psicoativo da maconha, no cérebro de camundongos. Os cientistas descobriram que a ativação dos receptores canabinoides por essa substância é capaz de disparar um processo de sinalização intracelular (chamado mTOR) que modula a síntese de proteínas no hipocampo. Segundo eles, a administração de 3 a 10 mg de THC por quilo de massa corporal foi capaz de afetar o mecanismo mTOR no hipocampo dos camundongos.

Para avaliar a relação entre o aumento na síntese de proteínas provocado pelo THC e a ocorrência de lapsos de memória em função do consumo dessa substância, os camundongos receberam um inibidor de síntese de proteínas chamado anisomicina. Nos testes, esse composto bloqueou os déficits à memória induzidos pelo THC.

Prevenção da perda de memória
A equipe, liderada por Andrés Ozaita, professor da Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona (Espanha), descobriu ainda que a rapamicina, droga imunossupressora usada prevenir a rejeição de órgãos transplantados, também é capaz de impedir a perda de memória causada pelo THC em camundongos.

Animais tratados com a substância não apresentaram efeitos amnésicos em duas tarefas que dependem do hipocampo: o reconhecimento de objetos e de contextos. Segundo os pesquisadores, isso ocorreu porque a rapamicina bloqueia as mudanças promovidas pelo THC na sinalização associada ao mecanismo mTOR.

“O esclarecimento dos mecanismos envolvidos nos efeitos amnésicos dos canabinoides permite um melhor entendimento de uma séria desvantagem do consumo de maconha”, avaliam os pesquisadores no artigo. Eles ressaltam que os prejuízos cognitivos são importantes efeitos colaterais associados ao uso terapêutico de canabinoides.

E completam: “Nossos resultados identificam o alvo específico que se encontra na base desses efeitos e poderiam, portanto, ser úteis para facilitar o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas que levem à prevenção desses efeitos nocivos dos compostos canabinoides.”



Thaís Fernandes
Ciência Hoje

Homero O poeta grego épico



Homero é considerado o grande autor da maior parte dos poemas narrativos que sobreviveram ao início da literatura grega.
por Marcon Beraldo


Segundo a tradição antiga, ele é autor dos poemas épicos Ilíada e Odisseia, duas grandes obras da Antiguidade , e muitos outros poemas que acabaram servindo de relato histórico e base cultural e moral da Grécia. Para os gregos que viveram sob o domínio dos romanos, ele foi o principal poeta da sua época, embora alguns escritores coloquem em dúvida a sua verdadeira identidade - é controvertida até a data de seu nascimento. Por volta do sétimo século a.C. surgiram as primeiras citações dos relatos épicos -, a Ilíada e a Odisseia estão incluídas entre as grandes obras da literatura universal.
A discussão sobre a autoria da Ilíada e da Odisseia resultou na famosa "questão homérica", que ao que tudo indica surgiu por volta do sexto século a.C., quando um certo Theagenes de Regium começou a indagar sobre as origens de Homero. Esta incerteza nasceu da quase completa impessoalidade do épico grego. O autor de Ilíada às vezes fala na primeira pessoa sobre seus próprios sentimentos, mas não há outra referência sobre a identidade do autor em nenhuma de suas obras. As datas e locais em que os poemas foram compostos podem ser apenas inferidos de evidências ambíguas e contraditórias.


Segundo alguns historiadores, o fato de serem citados comerciantes (fenícios) na Odisseia pode significar uma comprovação de que a obra possa ter sido feita por volta do século 9 a.C. Eles também citam táticas militares narradas na Ilíada que teriam origem no século 8 a.C. Embora essa diferença de datas possa indicar que houve um período muito longo entre a confecção de uma obra e outra, eles também sugerem que ambas possam ter apenas um autor, apesar de outros duvidarem que as duas possam ter sido escritas ou narradas somente por Homero.

Por volta do quarto século a.C, quando já se comercializavam livros e já existiam bibliotecas, Homero passou a ser considerado o criador da mitologia grega. Os historiadores da época se baseavam na existência de outros poemas, atribuídos a Homero, que homenageavam deuses daquele período. Essas obras também deixaram impregnadas na cultura grega princípios éticos de conduta e comportamento, mas sua autoria também nunca teve comprovação.

Homero teria vivido no oitavo ou nono século a.C. na Jônia, uma região hoje pertencente à Turquia. A Ilíada e a Odisseia são os principais documentos literários e históricos da região que resistiram aos tempos pelo seu relevante conteúdo. O que ficou de Homero, afora a controvérsia sobre as suas origens e até mesmo a própria autoria, são as obras, todas do gênero épico. Esses relatos, inspirados nas musas do autor, são baseados em fatos que podem ter acontecido ou não. As principais obras, a Ilíada e a Odisseia, falam de guerras, deuses, heróis, e, claro, tentam transmitir à sociedade de então ensinamentos morais, por meio dos personagens.

A Ilíada narra os acontecimentos, em 51 dias, durante o décimo e último ano da guerra de Troia. O título da obra tem origem no nome grego de Troia, Ílion. Trata-se de um poema épico que descreve "a ira de Aquiles" e a luta pela a posse de mulheres capturadas, entre Aquiles, o grande guerreiro, e Agamenon, o comandante em chefe do exército dos aqueus, que sitiou Ílios, a capital de Troia, por nove anos a fim de resgatar Helena, a esposa de Menelau (irmão de Agamenon), que fora capturada por Paris, filho de Príamo, rei de Troia.

A luta teve conseqüências desastrosas - primeiro para os aqueus, que tiveram de combater sem o apoio de Aquiles, e sob a temporária, porém real, inimizade de Zeus, "o pai dos deuses e dos homens" -; depois para o próprio Aquiles na perda de seu grande amigo Patroclus; e, finalmente, para Heitor, herói dos troianos. Aquiles, depois de ter se reconciliado com Agamenon, tendo vingado o assassinato de Patroclus e praticado os rituais finais para o amigo morto, finalmente se reconcilia com os deuses, ao permitir que Príamo possa regatar o corpo de Heitor e levá-lo de volta a Troia, para ser enterrado.

A história da Guerra de Troia pôde ser conhecida em detalhes graças ao relato atribuído a Homero. Acredita-se que ele costumava peregrinar pelas cortes e povoados da época, repetindo as estrofes verbalmente, enaltecendo os feitos e as conquistas dos antepassados dos gregos, então designados como aqueus.
A GRÉCIA EM NÚMEROS

A Grécia é banhada pelo mar em 14.880 km e possui uma fronteira terrestre de 1.160 km. O país é montanhoso ou acidentado em 80% de seu território. Apenas 28% das terras são propícias à agricultura. A indústria grega responde por 20% do PIB (Produto Interno Bruto). A agricultura gera apenas 4% das receitas. Já o turismo responde por 15% das riquezas da Grécia. O PIB do país chegou a US$ 324,4 bilhões em 2007. A Grécia, que tem aproximadamente 3 mil anos de existência, só proclamou sua independência nacional em 1829. O país tem cerca de 11 milhões de habitantes. 97% são de origem grega. A taxa de analfabetismo é de aproximadamente 2,5% e a renda per capita de US$ 31.382.
Era seu costume narrar, em pé e apoiando- se num cajado, em voz alta, para os ouvintes, a descrição dos combates dos heróis daquela época. Uma espécie de repórter falado daqueles tempos, com certeza. Esse costume viabilizou a preservação da memória dos fatos de então, o que acabaria por resultar na unidade cultural dos povos daquela região do sul da Europa, principalmente os de fala grega. Hoje, considera-se que Homero teve um papel fundamental, como personalidade literária, na vida do povo grego.

Essa narrativa, também chamada de epopeia, se resume em duas obras-primas: a Ilíada e a Odisseia. A Ilíada relata o último ano da guerra de Troia e a Odisseia conta as peripécias de Ulisses, depois da guerra. Em ambas são narradas a relação dos homens com os deuses. Consta que os relatos de Homero foram, por assim dizer, reescritos em 561 a.C por um certo Zenôdoto, que cumpria ordens de um ditador de Atenas, Pisístrato. Assim, a Ilíada e a Odisseia chegaram até nós compiladas por aquele escritor. Os dois grandes poemas que constituem as duas obras foram posteriormente subdivididos em 24 cantos cada, num total espantoso de 27.803 versos, número até hoje não superado na literatura ocidental.

Os outros personagens da guerra de Troia, heróis e anônimos, foram fontes de inspiração para autores que viveram depois dos tempos de Homero. Eles escreveram peças que se basearam nas vidas dos combatentes Ésquilo, Sófocles e Eurípides foram alguns desses autores.

A Ilíada, em particular, deixou sua marca na cultura clássica, tanto na formação dos gregos como, posteriormente, na dos habitantes do Império Romano. Essa influência também pode ser observada nos autores clássicos daquele período, como em Virgílio.

Originalmente, a Odisseia foi escrita em seis livros, dividida em quatro partes. A obra narra a luta de Telêmaco contra os cortejadores de sua mãe, que querem tirar proveito da viagem de Ulisses para a guerra de Troia. Atena aconselha Telêmaco a ir à procura do pai. Ele viaja numa embarcação para a casa do rei Nestor, em Pilos, que lhe conta episódios da guerra e sobre a morte de Agamenon. Em seguida, ele viaja a Esparta, junto com o filho de Nestor, e no palácio de Menelau e Helena, ouve mais relatos sobre o conflito entre aqueus e troianos.

Ao mesmo tempo em que Telêmaco segue viagem em busca do pai, Zeus envia Hermes para determinar a Calipso, em Ogígia, que deixe Ulisses partir. No mar, a bordo de uma jangada, durante uma tempestade, ele chega a um lugar chamado Feaces, onde encontra a princesa Nausíca. Aconselhado por ela a ir ao palácio, Ulisses recebe um pedido do rei Alcino para lhe contar a sua história.

Ulisses narra então o dia que deixou Troia no passado. Cita a passagem pela ilha dos ciclopes, onde ele fere o filho de Poseidon. Passa também pela ilha da feiticeira Circe, que, segundo a lenda, transformava os homens em suínos, e chega até Hades, onde interroga Tirésias sobre seu próprio futuro.

Essa região, segundo a lenda, era conhecida como a terra dos mortos. Ulisses então teria se comunicado - mediunicamente, talvez - com os companheiros de batalha que tombaram e inclusive com sua própria mãe, que falecera. Em seguida, ele volta à ilha de Circe, que o adverte sobre o perigo das sereias. Em viagem, novamente, Ulisses chega à ilha do Sol, onde seus companheiros matam os animais e depois falecem no mar. Ulisses, o único sobrevivente, volta à ilha de Ogígia, onde permanece por sete anos.

Depois de receber permissão de Calipso, Ulisses retorna à ilha de Feaces. Lá, ele recebe ajuda para voltar para Ítaca. A primeira providência de Ulisses é ocultar os tesouros. Telêmaco também volta ao "lar doce lar" e ao saber do motivo da viagem do filho combinam combater os pretendentes ao trono. É sugerida uma prova de habilidade e Ulisses, disfarçado de mendigo, termina como o grande vencedor e revela-se o verdadeiro rei de Ítaca. Junto com o filho e aliados, ele destrói os pretendentes e usurpadores. Só faltava provar sua identidade a Penélope. Depois disto, ele visita o pai, Laerte, que apresentava quadro de depressão profunda.
Fonte: revista literatura.

O LIVRO DO DESASSOSSEGO - FERNANDO PESSOA . BERNARDO SOARES


Fragmento 10
"Tudo me interessa e nada me prende. Atendo a tudo sonhando sempre; fixo os mínimos gestos faciais de com quem falo, recolho as entoações milimétricas dos seus dizeres expressos; mas ao ouvi-lo, não o escuto, estou pensando noutra coisa, e o que menos colhi da conversa foi a noção do que nela se disse, da minha parte ou da parte de com quem falei. Assim, muitas vezes, repito a alguém o que já lhe repeti, pergunto-lhe de novo aquilo a que ele já me respondeu; mas posso descrever, em quatro palavras fotográficas, o semblante muscular com que ele disse o que me não lembra, ou a inclinação de ouvir com os olhos com que recebeu a narrativa que me não recordava ter-lhe feito. Sou dois, e ambos têm a distância - irmãos siameses que não estão pegados."